terça-feira, 25 de abril de 2017

Hexagrama no dia da comemoração da Revolução

«Um povo pode ser transportado, enquanto que nada pode deslocar os seus poços»: os poços simbolizam as fontes, o alimento essencial, e assim a identidade profunda de um povo, que se manterá irredutível e sempre abundante, independentemente das movimentações e alterações que possa sofrer.
O tema para hoje será questionarmos quais os nossos verdadeiros recursos, e como poderemos realizar o nosso potencial.
Nunca devemos duvidar dos nossos recursos e do nosso potencial ou da sua adequação e suficiência; todavia, teremos a coragem e a força para alcançarmos tais recursos bem dentro de nós e de os lançarmos sem desistirmos (ou seja, sem partir a corda do balde que atiramos ao poço) para retirarmos a água e bebermos?
Assim como a água do poço está dentro dele, e por vezes bem no fundo, também nós devemos voltar-nos não para o exterior ou para os outros, mas sim para dentro da nossa alma, para o nosso centro ou fundações, é o que nos recorda o hexagrama de hoje, com o número 48, «O Poço».
Uma reflexão apropriada para este dia em que recordamos a revolução dos Cravos, pedindo que observemos os recursos que a mesma nos disponibilizou e a nossa capacidade de os utilizarmos de forma correcta e adequada, como colectivo, comunidade e nação.
Quer ao nível individual, quer ao colectivo, este hexagrama lembra-nos ainda que não devemos tapar o poço, com receio de esgotar os seus recursos, mas antes abri-lo e permitir o fluxo de água e abundância, que, quanto mais retiramos, mais flui; necessitamos remover as barreiras e obstáculos para fazermos parte do fluxo e nos permitirmos experimentar a nossa verdadeira essência, recuperando todo o potencial das situações que se nos deparam.
As energias do 3 (por redução do 21) pontuam o dia de hoje, numa ligação simbiótica com o 7 (de 25): de forma semelhante, estes números colocam-nos perante a necessidade de usarmos de forma criativa e activamente, nomeadamente por meio dos nossos contactos e amizades, os tais recursos internos, sobretudo a nossa sabedoria e experiência interna, resultado do nosso estudo, aprendizagem e vivência anterior.
Honremos, pois, essa nossa sapiência e conhecimento. colocando-a ao serviço e proactivamente, comunicando e transmitindo, sem receio de esgotar ou perdermos a nossa liberdade ou meios; entreguemo-nos ao fluxo criativo, mergulhemos dentro de nós para nos colocarmos assim na corrente, prontos a segui-la e deixar-nos conduzir na descoberta dessa riqueza interior e nos frutos respectivos.

Yehi Or

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