Hoje temos um dos Arcanos menos compreendidos do Tarot: o Arcano XV, o Diabo.
A nossa formação e cultura essencialmente católica tende a associar este Arcano com o pecado, com o Mal entre outras conotações menos abonatórias. Além disso, gostaria de relembrar que não existem cartas boas ou más; elas apenas simbolizam e traduzem energias, influências ou tendências. A forma como depois, na posse desse conhecimento, escolhemos lidar com elas, ou reagir às mesmas, é isso mesmo: uma escolha que será tão mais consciente e informada quanto dela tivermos elementos.
Não existem forças superiores que nos manipulem quais marionetas nem estamos irremediavelmente condicionados por um destino escrito de forma imutável por um qualquer Autor caprichoso.
O nosso livre arbítrio é o que nos distingue e é a marca do nosso caminho neste Planeta. Assim, ao escolhermos receber as mensagens dos Arcanos, por ex., como apontando para circunstâncias fixas e inescapáveis, estamos a exercer essa nossa capacidade de escolha; da mmesma forma, quando usamos esse conhecimento para compreendermos o que nos rodeia e as consequências previsíveis ou possíveis para as nossas acções num ou noutro sentido, estaremos a exercer uma escolha muito mais consciente, iluminada, e a usar a nossa vontade para desbravar um caminho ao invés de nos desresponsabilizarmos e culparmos os outros, o Universo, a sociedade, Deus ou seja o que for...
Hoje, a mensagem é muito mais acerca disso mesmo, de enfrentarmos os nossos medos e sabermos fazer e assumir escolhas conscientes, de acordo com a nossa intuição e a nossa essência, mas fazê.lo de forma informada, estudando todos os aspectos das situações que se nos apresentam.
Sim, esta carta fala-nos inexoravelmente, de aspectos materiais, do nosso relacionamento com a nossa própria dimensão material, na qual escolhemos efectuar este percurso. Ser material ou atender às nossas necessidades materiais não é mau, nem o oposto de ser espiritual; bem pelo contrário, é a sua complementaridade, é a expressão, o suporte, da nossa autêntica e assumida espiritualidade!
Hoje, pois, se por um lado nos podermos sentir tentados a pequenos «pecados», saibam que não estão a ser condenados nem a atrasar qualquer aspecto da vossa experiência, nem a comprometer o vosso caminho de alma.... estão, isso sim, a respeitar e ouvir o vosso corpo, essa maravilhosa máquina que alberga a vossa alma... e muito mais.
Por outro, devemos prestar atenção a estes aspectos mais triviais da nossa vida com amor, com respeito e reconhecimento, pois se os negligenciarmos, estaremos a comprometer o suporte desta vida tridimensional e física que aceitamos e escolhemos para determinados propósitos.
Como em tudo, apenas o excesso, o desejo irrefreado e alienado se mostra prejudicial, quando desprovido de alma, de amor e de sentimento.
Vivam, pois, a vossa fisicalidade, a vossa humanidade, na plena consciência de que não são escravos dela, mas que esta e as suas vicissitudes, limitações, obstáculos, mas também beleza, emoções e anseios, é o instrumento perfeito para o vosso crescimento e iluminação!
Só por hoje, sintam, pois, verdadeira e conscientemente, a vossa dimensão material e sejam felizes!
Yehi Or