terça-feira, 26 de janeiro de 2016

TERAPIA TRANSPESSOAL: A PSICOLOGIA DO NOVO MILÉNIO


A  psicologia humanista veio enfatizar a experiência consciente do ser humano na sua totalidade, focando a capacidade criativa do indivíduo, diferenciando-se das posições anteriores até aqui vigentes por passar a focar-se nas pessoas sãs ao invés das pessoas perturbadas ou psicóticas; é partindo do postulado (segundo Maslow) segundo o qual à medida que cada necessidade básica é satisfeita, somos motivados para o nível seguinte ou superior de necessidade ou desejo.
Essa escala de necessidades revesta sua base com as necessidades fisiológicas básicas de alimentação, água, etc, para culminar no pico que consagra a autorrealização.
Pode-se simplisticamente afirmar também que, ao satisfazer as suas necessidades básicas, o homem passa a dirigir a sua atenção para o que está à sua volta. E para o alto, para fora dele mesmo.
Desta nova necessidade surge também este novo olhar sobre a psicologia, implementando novos modelos de acompanhamento, novas formas de ajudar o ser humano que coloca novas questões e novos desafios.
A diferença postular que cimenta a clivagem entre os dois modelos de psicologia – a tradicional e a transpessoal - assenta na respectiva abordagem: enquanto a primeira estuda a doença, o indivíduo enfermo, encarado como um «desvio» da normalidade (esta considerada como saudável na sua conformidade com os padrões mentais), a segunda estuda o homem são, na sua plenitude, integrando as dimensões das experiências e comportamentos humanos, destacando a integração da metafísica e da espiritualidade e reflectindo o novo paradigma social.
Outra diferença importante prende-se com o facto de a psicologia tradicional ser essencialmente material recusando as experiências exteriores ao estado de vigília consciente, enquanto a nova psicologia abrange e integra os estados alterados, iluminados e superiores de consciência.
Procura transcender a natureza humana, elevando-a ao universo interligado e presente, procurando transcender a redução materialista no sentido deste novo paradigma reconhecedor e integrador da espiritualidade e necessidades transcendentais do ser humano – a expansão da consciência num sentido universal e cósmico, por meio de experiências até aqui consideradas míticas ou metafísicas.
Ou seja, e em resumo, a terapia transpessoal propõe-se acompanhar o ser que sofre, dando-lhe a mão e acompanhando-o nos seus processos de reconhecer a sua sombra, de mergulhar nos seus mais profundos lagos de traumas, medos ou crenças, de formas amorosa, livre de julgamentos, e permitindo ao paciente reconhecer-se na sua singularidade enquanto parte do Todo, aceitando e integrando os diversos aspectos do seu ser e da sua sombra, numa ligação irreversível com a Consciência Superior e o Sagrado ou Divino que em todos habita.
Por esta via ela logra demonstra o caráter relativo da realidade, e identificar a natureza essencial a partir do estado de consciência cósmica ou transpessoal, da Unidade entendida como a Consciência Superior, o Divino ou Transcendente.
Permite ao homem revelar o mistério da limitação do ser na sua manifestação humana, fazendo-o reconhecer a sua verdadeira não dualidade, graças à superação da aparente separação do homem e do absoluto.
Na vida prática quotidiana, mostra ao homem os caminhos e métodos que permitem o acesso ao transpessoal dentro do "pessoal", por meio da descoberta do "mestre interior".
Oferece assim a todos os que desejam e praticam os métodos próprios a um desses caminhos, a verdadeira liberdade e alegria de viver, pelo despertar dos valores inerentes ao ser; a sabedoria indissociável do amor para todos os seres.
Podemos enfim afirmar que a psicologia transpessoal é possuidora de um enorme potencial terapêutico, pois permite transformar as emoções (potencialmente avassaladoras ou destruidoras) como o ódio, a possessividade, o orgulho, o crime e a inveja, em harmonia e paz para cada ser humano e para toda a humanidade.
A terapia ou psicologia transpessoal observa particularmente o estado transpessoal da consciência, entendido como aquilo que subsiste, para além do fenômeno ou aparência da pessoa. Ou seja, transpessoal é o que fica por trás das máscaras da pessoa, dos seus condicionamentos, crenças implantadas e formatações ambientais.
A ponte que a análise e o trabalho transpessoal estabelecem de forma inovadora e integrada entre o Ser e a Espiritualidade – desprovida de conotações religiosas ou enquadramentos sociais culturalmente localizados – é a grande diferença na abordagem desta psicologia futura face aos métodos anteriores até aqui aceites pela comunidade científica.

Para esse acompanhamento de alma o terapeuta socorre-se de um conjunto de técnicas de relaxamento, perdão, integração, etc., destacando-se entre elas a prática da meditação como a ferramenta por excelência de um novo equilíbrio e bem-estar intuído e vivido de forma plena e consciente.
Outra ferramenta essencial é a observação: do próprio terapeuta enquanto amorosamente acompanha o paciente na identificação dos seus processos e condicionamentos e do paciente enquanto testemunha esses condicionamentos e os identifica, libertando-se da respetiva «tirania». A cura é alcançada de forma consciente e responsável pela identificação dos processos traumáticos, condicionados, resultantes de preconceitos, crenças, ou registos automatizados, e pela auto responsabilização do paciente nesse desapego e libertação.
É neste processo e para ele que o papel do terapeuta, como ser regido pela integridade, retidão, impecabilidade e sensibilidade amorosas se assume como o pilar do paciente no processo observativo que o há-de conduzir à libertação e a um Ser Maior.
Um dos momentos fulcrais da terapia dá-se quando se verifica o encontro do paciente com a sua sombra e a sua aceitação – o dar-se conta é o mecanismo que surge como momento fulcral do processo terapêutico do ser nesse caminho de integração.