quinta-feira, 7 de julho de 2016

O que é, afinal, meditar?


A prática da meditação não é uma actividade mística, extática ou reservada a guias, mestres, praticantes em busca da iluminação, nem requer rituais, complicações ou compromissos de qualquer ordem.
A meditação é muito mais presente e inata ao homem do que se pode pensar numa abordagem superficial.
Meditar é, antes de mais, focar a nossa atenção em determinado aspecto da consciência ou vivência, numa acção contemplativa. Esse foco de atenção deliberada, consciente e concentrada é uma actividade que exercemos de forma automática no nosso dia a dia com bastante mais frequência do que nos apercebemos: assim, ler um livro, ver um filme, dançar, correr ou praticar qualquer desporto, concentrar-se seja no que for, são formas de meditação, pela concentração e observação que colocamos nas mesmas.
A meditação é, também, uma forma de nos enraizarmos, centrarmos, curarmos, e é natural e comum ao ser humano, assumindo diversas formas ou práticas, todas válidas, transformadoras e recompensadoras.
Com raízes na meditação budista zazen, largamente difundida no ocidente, a meditação transpessoal por sua vez consiste num método ou técnica pelo qual se pratica a interiorização, o isolamento face aos estímulos sensoriais e emotivos exteriores, cultivando a atenção plena e focagem consciente, elegendo-nos como testemunhas / observadores dos nosso próprios processos mentais, proporcionando assim o aquietar da mente e libertando o conhecimento do nosso Eu mais profundo e interior.
Da mesma forma, a meditação não é uma prática ligada a determinada religião ou crença espiritual ou de fé, nem é um objectivo, um exercício visando uma meta ou destino, espiritual, místico ou religioso.
Trata-se de uma prática interior, pela qual, diária e paulatinamente, nos comprometemos a praticar uma postura formal de silêncio, de inactividade, promovendo a observação dos nossos próprios processos pessoais e mentais, levando desta forma a que reconheçamos a nossa essência ou consciência interior, o nosso centro ou verdadeiro EU, distinto das emoções, reacções, sentimentos e catadupa de pensamentos que diariamente nos invadem, comandam, confrontam e ocupam, distraindo-nos desse centro sereno e quieto onde reside a nossa Alma.
A meditação é O caminho. Ela apenas se cumpre pela sua prática, mas basta-se nela mesma.
Pela prática da meditação, o ser atinge novos níveis de identificação e conhecimento pessoal, só possíveis pelo relaxamento da mente, pelo distanciamento que este relaxamento e esta prática da observação sustentada, do foco consciente permitem, pelo relativizar, libertar e desapegar de tudo o que é supérfluo e exterior.
A sua prática de forma reiterada, constante, traduz-se numa verdadeira transformação daquele que a pratica, muitas vezes de uma forma inapercebida, ampliando a consciência, proporcionando distanciamento, serenidade, equidade, relatividade face às novas perspectivas deste ser praticante, abrindo-lhe o caminho para um ser mais feliz, mais completo e mais espiritual.
Mesmo que «apenas» utilizada como instrumento para combater o stress da vida moderna - e se for só essa a razão, será por si mais do que suficiente e profundamente satisfatória, pelos resultados inevitavelmente alcançados e sentidos pelo praticante -, as suas vantagens e benefícios alargam-se para muitos outros níveis da consciência, que quem medita sentirá de forma indelével e irreversível.
A meditação, ao proporcionar-nos estes novos níveis de consciência, de serenidade e equilíbrio, ao permitir-nos o contacto com o desapego, a compaixão, torna-se também um instrumento privilegiado para alcançarmos o Amor, o Amor grande, incondicional, desapegado, que é alimentado por estes estados de consciência, de compreensão – e, para alguns, de Iluminação - e que em nada se confunde com aquele amor possessivo, dos afectos dirigidos pelo desejo, em que tão erradamente andamos iludidos na vida exterior.
Em suma, a meditação é o caminho do Amor.
Por sua vez, ela surge inexoravelmente ligada à compaixão, essa maravilhosa vontade ou ensejo de aliviar o sofrimento de todas as criaturas, de forma desapegada e amorosa; de forma desprovida de julgamento, crítica, reprovação, pena ou compensação.
A compaixão, enquanto forma de expressão do Amor, é, assim, uma consequência e uma inevitabilidade da meditação.
Com amor,
Rashmi,




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