Há uns dias, encontrei o meu amigo e colega Filipe, e convidei-o para vir experimentar uma das meditações no meu espaço. Ele hesitou, respondendo que achava que isso não seria bem para ele, e perguntou-me, literalmente, se para meditar não era necessário acreditar em algo :) Não tivemos então oportunidade de esclarecer melhor o assunto, e apenas lhe consegui asseverar que tal ideia é um mito, uma falsa crença, pelo que achei apropriado esclarecer porque a meditação se não confunde com qualquer prática ou corrente religiosa.
Embora
seja habitualmente associada a certas correntes espirituais, tal como o
budismo, a meditação não é uma prática religiosa, antes pelo contrário, ela é
neutra, isenta e aceita todas as perspectivas e dimensões espirituais da mesma
forma que se ajusta a todas as expressões de fé que a Humanidade manifeste.
Com efeito, meditar consiste num treino da atenção, num caminho
de desenvolvimento da consciência e do auto conhecimento, uma via de Amor. Da
mesma forma, não cria dogmas, não se funda em crenças, não julga nem comanda.
Por
ser um conjunto de técnicas ou práticas, não se encontra ligada a concepções ou
filosofias auto-reguladoras nem se limita a rituais formais.
Da
mesma forma, a meditação abrange diversas formas, ou práticas, sentadas ou em
movimento, silenciosas, ou com mantras ou koans, acompanhadas de posições ou
posturas específicas, englobando ainda formas de visualização, ou sendo guiadas
por um instrutor…
Qualquer
que seja a crença pessoal ou a fé de cada um, a meditação pode ser utilizada
para uma maior profundidade da prática dessa fé, como um método de
autoconhecimento e contacto com a representação do Divino que cada um adopte,
tal como pode ser uma ferramenta de crescimento pessoal perfeitamente neutra e
isenta de conotação religiosa ou orientação espiritual.
Tal
como a meditação não necessita que se acredite em Deus, Alá ou qualquer entidade
religiosa, muito menos, e por outro lado, quer a mesma que prescindamos das crenças religiosas pessoais, mesmo
que algumas das práticas envolvam a visualização de um ídolo religioso ou a
ressonância de um mantra. Sempre que nos deparemos com técnicas ou formas que
pressuponham ou incluam tal tipo de visualização ou oração, e que sintamos vontade
de as incluir na nossa prática, podemos perfeitamente fazê-lo por forma a se
coadunarem com o compromisso religioso de cada um, de forma que atinjam o mesmo fim, ou
podemos simplesmente não praticar os exercícios ou técnicas com as quais nos não identifiquemos nem sinta mos ressonância.
Livre de preconceitos ou doutrinas, a meditação surge como uma ferramenta poderosa e simples para o crescimento pessoal, obtenção de foco, paz e concentração, com benefícios na saúde, bem-estar e serenidade de quem a pratica.
Grata Filipe pela tua questão!
Namastê!


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